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Triângulo Mineiro virou o “inferno” para quem carrega algodão

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Casos de roubo de carga em postos de combustível, durante a madrugada, estão cada vez mais comuns

Revista Carga Pesada

“Se Deus quiser, eu nunca mais vou carregar algodão.” A frase é de um caminhoneiro autônomo de Goiás que, no dia 25 de outubro, passou por um sufoco que não deseja a ninguém. Ele estava acompanhado da filha, de 19 anos. “Acordei com o barulho do vidro quebrado e com o ladrão já dentro da cabine”, conta.

Era uma hora da madrugada e o motorista, que levava uma carga de algodão, tinha parado havia mais ou menos uma hora para dormir num posto da BR 153 (Transbrasiliana), no município de Comendador Gomes (MG). Nos últimos anos, o Triângulo Mineiro virou o inferno para quem carrega o produto. Difícil é encontrar quem passa por lá e ainda não sofreu o mesmo drama do colega de Goiás.

“Se passar de avião, os caras roubam”, brinca ele. Pai e filha não sofreram violência física, mas passaram muito medo até às 6 horas da manhã nas mãos do bandido. “O ladrão pôs fita adesiva nos meus olhos e na menina, funcionou o caminhão e dirigiu por uns 20 minutos”, conta. Assim que pararam, o caminhoneiro ouviu o barulho de outro caminhão chegando. “Chegaram com um cavalo, desengataram minha carreta e levaram embora”, afirma.

Depois disso, o assaltante rodou por cerca de 10 quilômetros e parou. O motorista percebeu que o bandido recebia ordens por mensagens no celular. “Ele me disse: ‘vocês estão com sorte, não vou levar vocês para o matagal porque está muito frio’”, relata. Ficaram os três na boleia até pouco depois das 6 horas, quando o ladrão amarrou as mãos do motorista e abandonou o veículo.

A carreta só foi recuperada 25 dias depois. “Quando meu sogro foi buscar a carreta na Delegacia de Itapagipe (MG), havia outras três carretas no pátio que também tinham sido roubadas com carga de algodão”, conta. O caminhoneiro hoje está puxando milho e afirma que, para ele, o susto já passou. “Mas minha filha, que já estava sofrendo com depressão antes do roubo, piorou muito, e está tomando remédios”, conta.

Somente neste ano, quatro motoristas de uma transportadora de algodão do Paraná sofreram o mesmo drama do goiano. Num dos casos, dia 1º de novembro, duas carretas foram levadas do mesmo posto, na cidade do Prata (MG), durante a madrugada. Os dois motoristas ficaram reféns da 1 às 13 horas num matagal.  Os outros roubos foram em postos do município de Frutal (MG). Um dos conjuntos (cavalo e carreta) ainda não foi recuperado.

“Nossos agregados estão orientados a não dormirem na região do Triângulo Mineiro”, conta um dos donos da transportadora. Na opinião dele, as autoridades não tomam providência. “Se você reclama com a Polícia Rodoviária Estadual eles mandam falar com a Federal e vice e versa”, afirma.

O dono de outra transportadora, desta vez de Mato Grosso, contabiliza quatro roubos idênticos de julho do ano passado a julho deste ano: um em Araguari, na BR 050, um em Prata, na 153, um em Fronteira (MG), também na 153, e outro fora do Triângulo, em Aparecida do Taboado (MS), na Divisa com Minas, na MS 158. Todos ocorridos em pátios de postos de combustível, de madrugada, quando os motoristas estavam dormindo.

“A situação ali está muito feia e infelizmente a gente não vê as autoridades tomando providência”, reclama o empresário.

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