Santa Casa deve mais de R$118 milhões e atividades eram realizadas sem padrão

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Do: Olhar Direto

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

A Santa Casa de Misericórdia deve mais de R$118 milhões para diversos credores e, antes do fechamento da instituição, todas as atividades eram realizadas sem um padrão estabelecido. Isso foi o que apontou o ‘Plano de Ações Emergenciais’ elaborado neste mês de abril pela direção que foi afastada na última sexta-feira (12) que tinha o Dr. Carlos Coutinho como presidente. A maior parte da dívida, cerca de R$38 milhões, é com bancos, enquanto apenas cerca de R$10 milhões são devidos a funcionários.

“Analisando o macro ambiente organizacional da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, não se pode dizer que houvesse um modelo de gestão a ser seguido. As atividades eram realizadas de modo empírico, a critério do executor, sem nenhum padrão estabelecido. Dessa forma, era impossível o estabelecimento de metas e expectativa de resultados mensuráveis”, explica o Plano.

A dívida total de R$ 118.192.244,40 é dividida em: R$4 milhões de ações cíveis; R$1.214.820,45 de ações trabalhistas; R$38.689.353,65 para bancos; R$19.850.934,30 para fornecedores; R$10.903.692,25 para funcionários; R$7.078.770,94 para honorários médicos; R$6.128.953,93 para prestadores de serviços; e R$30.325.718,91 para tributos e encargos.

A elaboração do Plano de Ações Emergenciais foi uma exigência do Ministério da Saúde para que pudesse ajudar a instituição. A decisão de fazê-lo veio no último dia 21 de março, em uma reunião entre membros da bancada federal, o prefeito Emanuel Pinheiro, o assessor da Casa Civil, o deputado estadual Xuxu Dal Molin (PSC) e os vereadores Wilson Kero Kero (PSL) Renivaldo Nascimento (PSDB), em Brasília.

O Plano, então, foi elaborado pela equipe do Dr. Carlos Coutinho, que até a última sexta-feira (12) era presidente da instituição. A ideia era de explicar a situação da casa para que fosse estipulado o valor que o Ministério da Saúde precisaria e poderia enviar.

Na sexta (12), a sociedade mantenedora da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá resolveu afastar a diretoria da unidade filantrópica, após uma reunião. O cargo passou a ser ocupado pelo médico Luís Saboia. Fechado há um mês, o hospital aguarda um repasse de R$ 7 milhões que auxiliarão no pagamento de salários atrasados.

A paralisação

A Santa Casa de Misericórdia anunciou no último dia 11 de março que paralisou os serviços hospitalares e alegou o não cumprimento do repasse de R$ 3,6 milhões da Prefeitura de Cuiabá. A liberação do recurso, de acordo com a unidade, havia sido acordada no dia 1º de março, mas não aconteceu. Pacientes oncológicos foram remanejados para outras unidades, já os pacientes renais e que passam por hemodiálise estão sendo atendidos normalmente.

A Prefeitura de Cuiabá alegou que a Santa Casa é alvo de investigação da Delegacia Fazendária e do Ministério Público Estadual (MPE) e a Controladoria Geral do estado (CGE) teria pedido de cautela em repasses antecipados ou empréstimos à unidade de saúde.

Um pedido de intervenção na Santa Casa foi encaminhado, na manhã do dia 12 de março pela Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Cuiabá, ao prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). Inicialmente, acreditava-se que, ao todo, a unidade filantrópica tinha uma dívida de R$ 80 milhões.

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) citou a questão humanitária e abriu a possibilidade de fazer um repasse para a Santa Casa. O emedebista esclareceu que tem compromisso com a população e sabe que muitos dependem da instituição filantrópica. Por conta do fato, após analisar os documentos, o prefeito afirmou que tomará a decisão baseado na legalidade da questão, sempre priorizando a humanização do atendimento à saúde dos cuiabanos, deixando aberta a possibilidade de fazer o repasse de R$ 3,6 milhões.

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