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Quem mais sofre com o impasse entre o presidente Guaidó e o ditador Maduro é o povo venezuelano. Apesar do desgaste, o embate pode estar longe de acabar

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Queda de braço entre Maduro e Guaidó: o tempo conta a favor do chavista (Crédito: Divulgação)

A Venezuela tem dois presidentes — o de direito, Juán Guaidó, legitimado pelo apoio popular e de mais de 50 países, e o de fato, Nicolás Maduro, sustentado pela cúpula das Forças Armadas —, mas nenhum deles tem conseguido cumprir suas promessas. Guaidó fracassou em sua recente tentativa de fazer entrar no país caminhões com ajuda humanitária para a empobrecida e faminta população venezuelana. Saiu do episódio mais enfraquecido. Menos mal que seu adversário também está debilitado. Afinal, Maduro havia proibido Guaidó de sair do país e, depois que ele o desobedeceu, disse que ele seria preso se voltasse. Pois o opositor retornou e nada aconteceu. Foi recebido na segunda-feira 4 no aeroporto por uma comitiva de diplomatas estrangeiros e logo começou as tratativas para convocar um grande protesto e uma greve geral. Tudo o que Maduro fez foi descarregar sua ira sobre o embaixador alemão em Caracas, Martin Kriener, que liderou a recepção a Guaidó. Maduro mandou expulsá-lo.
O impasse entre Guaidó e Maduro é de natureza assimétrica: eles lutam com armas diferentes. Maduro tem o controle do Estado e, principalmente, das forças de repressão. Guaidó usa a pressão popular e o isolamento internacional para convencer os militares, o último sustentáculo do regime chavista, a abandonar Maduro. Também conta, para isso, com as sanções que o governo americano impôs ao comércio de petróleo da Venezuela, a maior fonte de recursos do país. O ditador chavista está ficando sem dinheiro, mas isso não significa que ele pretenda largar o osso do poder. Ele vai preferir repassar o prejuízo para a população e endurecer o regime. Segundo Michelle Bachelet, alta-comissária da ONU para os direitos humanos, as sanções estão tendo o efeito de piorar a situação econômica dos venezuelanos.