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Polícia conclui que jornalista foi morto por não ter R$ 3 para pagar droga

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Do: Olhar Direto

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que o jornalista Marcelo Ferraz foi morto após um desentendimento com Jonh Lennon da Silva, 21 anos, por não ter R$ 3 para pagar a droga que havia consumido. Segundo o delegado responsável, Fausto Freitas, a vítima era conhecida pelos usuários de drogas das imediações onde foi morto por ‘cheque-ouro’, por ter auto poder aquisitivo para manter o vício.

O jornalista foi dado como desaparecido no dia 28 de setembro. Seu corpo foi encontrado com sinais de violência no início da tarde do dia 30, data em que a família também registrou o boletim de ocorrência.

“Iniciaram as investigações, o corpo apresentava sinais de violência, aparentemente causadas por instrumento contundente. Identificamos como sendo pedaços de pedra, até estava no local, próximo do corpo. Na face lateral apresentava um afundamento craniano, depois constatou-se ser a causa da morte. Dois dias depois um suspeito foi detido pela Polícia Militar, acompanhado de algumas testemunhas”, afirmou o delegado em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (5).

As testemunhas foram ouvidas para auxiliar na investigação. Jonh Lennon confessou a autoria do crime, entretanto, apresentou a versão de que teria encontrado a namorada praticando sexo oral no jornalista. Com isso, teria se exaltado e matado a vítima. A versão foi desmentida pela companheira de Jonh Lennon. “Ela confirmou que ele era o autor do crime, porém desmentiu a versão dele quanto motivação”, acrescentou.

“Segundo ela, nesse dia, ela juntamente com o autor, mais uma pessoa que ela chama de ‘Velhinho’, também usuário de drogas que pede dinheiro na região da avenida do CPA, estariam ali nas imediações, sendo que ela permaneceu com Velhinho,e o suspeito saiu. Depois de alguns minutos, o suspeito voltou já acompanhado da vítima e chamou ela para fazer uso de drogas. Eles se deslocaram até o local do fato, a menina disse que neste momento se apartou, porque teve uma desavença com o indiciado, e nesse momento que teria acontecido o crime”, afirmou.

No dia do crime, o jornalista não tinha dinheiro, nem qualquer produto que pudesse ‘pagar’ para consumir a droga. Ela portava apenas uma carteira de estagiário da Ordem dos Advogados (OAB).

“A motivação provável é que o indiciado usou droga com a vítima naquele momento, acreditando que ela teria dinheiro para continuar usando, mas diante da ausência de recursos da vítima, houve um desentendimento, acabou acontecendo o crime”. Depois do crime, o delegado conta que ele seguiu até uma casa, e teria confessado o crime para a namorada e outros usuários de droga.

Com relação a eventual violência sexual, Fausto Freitas disse que o laudo ainda não foi concluído. “Porém pelas circunstâncias do fato e, em conversa com os peritos que examinaram o corpo, eles relataram não ver qualquer tipo de violência sexual no cadáver”.

O caso

O jornalista foi dado como desaparecido no dia 28 de setembro. Por volta das 20h, ele saiu do bairro Jardim Aclimação e disse que estava a caminho da Praça da Mandioca, onde iria encontrar alguns amigos. Desde então, não deu notícias. Seu corpo foi encontrado com sinais de violência no início da tarde da segunda-feira (30), data em que a família também registrou o boletim de ocorrência.

De acordo com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Marcelo havia sido morto há aproximadamente 48 horas. Ele teria sido morto a pedradas e, em consequência, teve traumatismo craniano. O corpo do jornalista foi liberado pelo IML após a análise e foi velado na terça-feira, 1º de novembro.

A suspeita inicial era de que a vítima teria pedido uma porção de pasta base, que custava R$ 3, mas não tinha dinheiro para pagar. Assim, o acusado teria pego uma pedra e desferido diversos golpes na cabeça da vítima. Após matá-lo, John Lennon confessou a um homem que estava embaixo de um viaduto, dizendo “me dá uma droga que acabei de matar uma pessoa”.

Marcelo formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e foi um dos vencedores do Prêmio Mato Grosso de Literatura pelo romance ‘O Assassinato na Casa Barão’, em 2017. Além de ser o autor de outros seis livros.

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