Menino morre sugado por hélice de escuna em Angra

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Escuna Juliana I

RIO – O menino Saimon de Oliveira, de 9 anos, morreu na tarde deste domingo depois que foi sugado pela hélice em movimento da escuna Juliana 1, que levava turistas para passeio na Ilha Cataguazes, na Baía da Ilha Grande. Saimon, que morava em Paracambi e estava acompanhado do pai, não teria atendido ao alerta dos marinheiros para que os banhistas não se aproximassem da embarcação enquanto o mestre Sérgio Ricardo do Pinto Barra fazia manobras para afastar a escuna da areia. Pai e filho estavam entre os turistas que deixaram a escuna usando “macarrões” (boias) para banho de mar na praia da ilha.
Uma médica que estava em outra escuna fez os primeiros socorros e chegou a reanimar o menino, que tinha dois cortes na cabeça, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu numa lancha da Defesa Civil a caminho do hospital. A escuna, da agência Mar de Angra, saiu do Cais Santa Luzia, em Angra dos Reis, para um passeio pelas ilhas. O menino estava acompanhado do pai, Jhones de Oliveira, que prestou depoimento na noite deste domingo na delegacia de Angra. A tripulação do barco também prestou depoimento. A mãe de Saimon, Graziely da Silva Oliveira, não estava no passeio.
Foram instaurados dois inquéritos, um na Capitania dos Portos e outro na delegacia de Angra dos Reis, para investigar o acidente. O mestre Sérgio Ricardo é proprietário da escuna e da agência Mar de Angra. Experiente, ele pilota escunas na Baía da Ilha Grande há mais de 30 anos.
A Ilha de Cataguazes é considerada uma das mais bonitas da Baía da Ilha Grande e fica próxima do continente, por isso é muito procurada por turistas e moradores que chegam ao local em escunas ou em pequenas embarcações de aluguel. A ilha tem vegetação densa, que chega a entrar na praia, formando grande área de sombra.
Por falta de fiscalização, muitos visitantes estão degradando o local porque fazem churrascos, acampamentos e deixam lixo sob a mata nativa. Os problemas nas ilhas da Baía da Ilha Grande aumentaram neste ano, depois que foi extinto o posto do Batalhão Florestal da PM que funcionava na Marina Verolme e atendia a toda a Costa Verde fluminense.