Gol cancela 3 voos para os EUA para não usar 737 Max-8

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União Europeia fecha espaço aéreo para a aeronave. Em dois dias, Boeing acumula perda de US$ 26,6 bi em valor de mercado

*Um Boeing 737 Max 8: modelo teve dois acidentes fatais em seis meses. Foto: David Ryder / REUTERS

RIO – Após dois acidentes fatais em apenas seis meses com o Boeing 737 Max-8, empresas e autoridades estão adotando medidas de segurança que restringem o uso do avião. Nesta terça-feira, a Gol não operou três dos quatro voos que tinha programados para os Estados Unidos, realocando os passageiros em companhias parceiras. Já a Agência Europeia para Segurança Aérea (Easa) suspendeu todas as operações de voo envolvendo os modelos Max das séries 8 e 9, anunciando o fechamento de seu espaço aéreo para esse modelo de aeronave.
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A medida preventiva foi adotada também por mais de uma dezena de países, como Austrália, Malásia, Cingapura, China e Indonésia, que proibiram voos com o 737 Max. Apenas Estados Unidos e Canadá mantêm a permissão para a aeronave, segundo a CNN.
Com o aumento dos questionamentos sobre a segurança do atual campeão de vendas da Boeing, os papéis da americana registraram as maiores quedas em quase uma década, segundo a Bloomberg. Nesta terça-feira, as ações encerraram o dia em baixa de 6,15%, cotadas a US$ 375,41. Em dois dias, o tombo acumulado é de 11,15%, com uma perda de valor de mercado de US$ 26,6 bilhões. É soma equivalente a R$ 115,3 bilhões, ou o mesmo que três empresas JBS.
Passageiros remanejados
As ações da Gol, entretanto, encerraram o dia na Bolsa com valorização de 0,76%, a R$ 26,55, depois de terem chegado a cair 2,04% durante o pregão. Um dia antes, quando anunciou que iria suspender todos os voos com equipamentos Max-8 como medida de segurança, os papéis da empresa aérea brasileira tinham recuado 2,59%, fechando a R$ 26,35.
Nesta terça, a companhia não realizou três dos quatro voos previstos para a Flórida, que utilizariam aviões 737 Max-8. Passageiros dos voos de Brasília para Miami e Orlando, e do voo de Fortaleza para Miami foram remanejados para outros de companhias parceiras. Já o trecho Fortaleza-Orlando opera normalmente, com modelos Boeing 737 NG. Com o cancelamento dos voos, saiba quais são os direitos dos passageiros.
Na quarta-feira, os voos de Brasília para Miami e Orlando serão operados pela Gol, mas utilizando equipamentos da Delta Air Lines. Não há saída da capital cearense para Miami às quartas-feiras.
A companhia aérea afirma que todos os passageiros foram previamente contatados. A partir de quinta-feira, as linhas para os EUA voltam a ser operadas com aviões da Gol, mas utilizando aeronaves Boeing 737 NG.
A suspensão de operações do modelo da Boeing por companhias e autoridades aéreas de todo o mundo veio após a ocorrência do segundo acidente fatal com um avião 737 Max-8 em um período de seis meses. No último domingo, uma aeronave da Ethiopian Airlines, que partia de Adis Abeba com destino a Nairóbi, no Quênia, caiu apenas seis minutos depois de decolar. Deixou 157 mortos. Em outubro do ano passado, um avião do mesmo modelo, mas da indonésia Lion Air, caiu na Indonésia também poucos minutos após a decolagem, deixando 198 mortos.
Após a repercussão dos acidentes, a Boeing decidiu fazer uma mudança no software do sistema de controle de voo do Boeing Max 737. A mudança ocorre no momento em que aumentam as preocupações com a segurança da aeronave.
Sete aviões parados
Atualmente com uma frota de 121 aeronaves, exclusivamente da Boeing, a Gol conta com sete aviões 737 Max-8, sendo a única companhia no Brasil a utilizar este modelo. O plano de expansão da empresa — incluindo a estratégia de ganho de produtividade, receita e redução do endividamento — está costurado com base na transição para uma frota majoritariamente composta por aviões 737 Max e NG. Ao todo, a Gol tem uma encomenda de 133 dessas aeronaves junto à Boeing a serem entregues até 2028, e reiterou sua confiança na fabricante.

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