Eu nem conheço Cachoeira, diz Maggi; senador reforça inocência de Pagot

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O senador Blairo Maggi, líder da bancada do PR, disse neste domingo, em entrevista ao RDNews, que não teve qualquer contato com emissários da Delta Construções, que mais fatura contratos de obras com o governo federal, e muito menos com Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal. Enfatiza que quando seu nome é citado em diálogos entre o contraventor e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) se referia a posicionamento seu na imprensa, por meio de entrevistas, em relação à atuação do aliado Luiz Antonio Pagot na direção-geral do Dnit e não sobre comentário supostamente feito diretamente com pessoas interessadas em beneficiar a construtora.
“Esse pessoal deve ter ficado monitoramento as minhas palavras porque sabe que o Pagot é indicação minha e qualquer coisa que eu falasse iria interpretar como orientação para o que o Pagot viesse a dizer”, destaca o ex-governador mato-grossense, que estava neste domingo em Rondonópolis, onde mantém residência e negócios empresariais. No inquérito do Supremo Tribunal Federal, que tramita em segredo de Justiça, há trechos de transcrições de escutas telefônicas entre Cachoeira e Demóstenes. Em alguns deles, Maggi é citado como alguém que exerce influência direta sob Pagot, que foi afastado do Dnit sob pecha de corrupto, e na época, em 12 de julho do ano passado, quando se preparava para prestar depoimento. Isso criou tensão e expectativa na turma de Cachoeira, que, conforme as investigações, usava a Delta para faturar obras em praticamente todo país e enfrenta várias denúncias de irregularidades, como obras mal feitas, tráfico de influência e pagamento de propina. Naquela época, Pagot adiantou que iria “abrir a boca”, sugerindo que o seu depoimento poderia ser “bombástico”.
Questionado sobre o trecho em que, na conversa de 11 de julho, um dia antes de Pagot depôr, Cachoeira comenta para Demóstenes que “(…) Blairo mandou falar que não tem nada não (…)” e que “(…) Blairo que (sic) manda nele (…)”, o senador mato-grossense explica que, sequer, conhece e tem contato com o bicheiro e que certamente Cachoeira estaria fazendo suposições, se referindo a entrevista que concedera sobre a situação de Pagot, que estava na bronca por ter sido exonerado sumariamente pela presidente Dilma Roussef. “Eu não o conheço”, reage o senador.
Em seguida, Maggi pondera que somente agora veio entender o porquê do colega Demóstenes constantemente o perguntar se iria levar Pagot para prestar esclarecimentos. “Ele (Demóstenes) me dizia: ‘vai trazer Pagot!’, ‘ele vai falar’…”. O senador republicano lembra que num certo momento, ao ser perguntado de novo, afirmou: “O Pagot vai, sim, falar!”. Ele acredita que esse tipo de monitoramento poderia estar sendo feito por Demóstenes para “abastecer” Cachoeira de informações, mas enfatiza que não conhece o contraventor do jogo do bicho e que jamais se envolveria em qualquer ato ilegal.

Trecho em que Carlinhos Cachoeira diz para o senador Demóstenes que é Blairo Maggi quem manda em Pagot

 

Orientação a Pagot

Sobre estar orientando Pagot, tanto no passado, quando este foi exonerado, quanto agora, já que o ex-diretor-geral do Dnit pode ser convocado para falar à CPMI no Congresso Nacional, Blairo Maggi observa que “não há dúvida de que Pagot deve aproveitar esse momento para mostrar a inocência dele no processo”. “Se tivesse alguma coisa nesses diálogos que comprometesse o Pagot já tinha estourado. Então, acho o seguinte: quem tem culpa, não tem como escapar. Agora, quem não tem culpabilidade, precisa ganhar uma carta de auforria”, destaca o senador, para quem Pagot sairá desse processo com a boa imagem recuperada.
Ele entende que Pagot deve confirmar certas situações, como jantar e reuniões com participação de determinadas pessoas, porque não tem como saber quais seriam os interesses daqules infiltrados e dispostos a levar vantagem. Acredita que, pelo grau de influência que exercia Demóstenes, muitos devem ter sido convidados para encontros sem saber os objetivos escusos que estavam por trás.