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Delator afirma que cobrou pessoalmente Maggi e Silval por empréstimos no Bic Banco

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Do: Olhar Direto

Foto: Arquivo

Delator premiado na Operação Ararath e ex-superintende do Bic Banco em Mato Grosso, Luiz Carlos Cuzziol afirmou ter feito pessoalmente cobranças junto aos ex-governadores Blairo Maggi e Silval da Cunha Barbosa. Os encontros tratavam sobre supostos empréstimo fraudulentos em nome de aproximadamente 30 empresas. O Poder Executivo atuava dando garantias.

Cuzziol afirmou em depoimento na Justiça Federal ter entregue pessoalmente o que chamava de tabelas de controle de empréstimos. “Entregamos também para o Silval aquela cartinha, aquele controle [tabela de empréstimos]. Entreguei uma vez, quando fui apresentado para o ex-governador Blairo. Entreguei também uma relação” afirmou o delator.

Questionado se Blairo e Silval desconheciam as dívidas quando foram cobrados, Cuzziol afirmou que houve questionamento sobre valores. Porém, o colaborador acredita que ambos sabiam das operações, ao menos em parte. “Eu não sei se na íntegra, todas as operações. Quando eu fui cobrar a primeira vez, que eu sentei, assustaram com o valor. ‘Tudo isso? Isso já foi liquidado’”.

Luiz Carlos Cuzziol,  que vem se tornando um dos principais nomes da Operação Ararath, revelou em audiência na Justiça Federal ter recebido uma lista com dados “de 20 ou 30 empresas” que seriam beneficiadas por meio de empréstimos fraudulentos.

A lista foi repassada, conforme informado em processo, por Eder Moraes, nome que chegou a ocupar os cargos de Secretário de Fazenda e de Casa Civil. As tratativas foram executadas diretamente com o presidente do banco, pessoa identificada como Jose Bezerra de Menezes.

As empresas supostamente possuíam serviços prestados junto ao Poder executivo e não pagos. Segundo o Ministério Público, muitas das operações recebiam como garantia créditos fictícios por meio de simulação.

Luiz Carlos Cuzziol firmou delação premiada em 2019 junto ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), em Brasília. Antes de colaborar, foi condenado em ação da Ararath. Processo de 2015 gerou pena de 31 anos de reclusão.

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