Comandante lamenta morte de sub-tenente, cita rotina dura e trabalha em ações para combater depressão

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Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

 

 

O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Jonildo José de Assis, lamentou a morte da sub-tenente Márcia Cristina Motta, de 46 anos, que tirou a própria vida, no último sábado (02), em Cuiabá. O PM citou a dura rotina enfrentada pelos profissionais de segurança pública e afirmou que ações estão sendo tomadas para combater a depressão causada pelo estressante trabalho.

“Este fator é preocupante para nós. Como PM, sempre trabalhei na rua e tive muito pouco tempo para minha família durante os 25 anos de carreira, porque realmente me dediquei ao serviço. Não fiz faculdade e isto cobra um preço. Estamos atentos, é importante que seja divulgado que estamos atentos a isto. Mandamos fazer um levantamento, vamos procurar órgãos para nos ajudar a fazer ações preventivas para que não chegue neste ponto”.

Porém, o comandante lembra que existe uma dificuldade em se identificar os sinais. “È complicado definir isto, porque temos que analisar caso a caso. É uma doença silenciosa. As vezes, mesmo o colega, dentro da viatura, não consegue identificar. A morte da subtenente Márcia foi muito impactante para nós. Eu a conhecia há mais de 20 anos, era uma excelente profissional, pessoa maravilhosa”.

O comandante confirmou que já pediu um levantamento destes casos de depressão envolvendo policiais e, até a próxima semana, deverá ter os dados para trabalhar em uma forma atuação preventiva para evitar que outros casos ocorram.

Carreira

Há 20 anos no exercício da carreira na PM mato-grossense, Márcia serviu em diversas unidades, entre as quais o quartel do Comando Geral, em Cuiabá, o Regimento Montado (Cavalaria)  e o Batalhão Especializado de Trânsito, onde estava lotada.

Entre os colegas de farda ela era considerada exemplo de superação e amor à farda. Marcia costumava repetir que a Polícia Militar era a sua vida. Em 2016, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que a afastou das funções policiais por quase dois anos.

A subtenente poderia até ter se aposentado em decorrência da doença, mas durante o tratamento costumava dizer que iria superar, restabelecer sua saúde por completo e voltar ao trabalho, o que realmente aconteceu em 2018.

No sábado, ela estava escalada para trabalhar e foi exatamente a sua ausência, o que nunca acontecia, que chamou a atenção dos colegas.

Uma equipe do Batalhão entrou em contato com o namorado dela, também policial na mesma unidade, e ele decidiu ir até o apartamento, já que por meio do celular não estava conseguindo fazer contato. Ele teve de entrar pela sacada e a encontrou morta, com uma perfuração de projétil de arma de fogo no tórax.

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