Caminhoneiros contrariam representantes, dizem que greve está mantida e voltam a ‘invadir’ Cuiabá

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Do: Olhar Direto

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

A greve ainda não acabou. Pela menos esta é a avaliação dos caminhoneiros que continuam a paralisação no Distrito Industrial, em Cuiabá. Segundo eles, o acordo fechado com os sindicatos não atendem aos anseios da categoria. Por conta disto, prometem continuar com o ato por tempo indeterminado. Na tarde desta segunda-feira (28), eles voltaram a invadir a capital mato-grossense em carreata e com um intenso buzinaço.

No fim da tarde desta segunda-feira (28), os caminhoneiros voltaram a sair em carreata do Distrito Industrial com destino ao Centro de Cuiabá. Com um intenso buzinaço, eles pretendem novamente chamar a atenção da população e dos políticos. O ato também serve para mostrar que a paralisação deve continuar pelos próximos dias.

Em grupo, os caminhoneiros que estão no Distrito Industrial disseram ao Olhar Agro & Negócios que “o acordo feito ontem não por gente que nos representa. São pessoas de sindicato, foram vendidos. A redução de R$ 0,46 por litro na refinaria não vai impactar nas bombas. Este valor tinha que ser na bomba, na realidade, para todos nós”.

Além disto, o grupo ainda comentou sobre os pedidos de intervenção militar, que acompanha a manifestação já há alguns dias: “Não é um desejo do grupo, o que acontece é que a população se juntou e as opiniões se misturaram. Também tem alguns infiltrados políticos que acabam desviando o foco. O nosso principal objetivo é a redução no preço do combustível, que é bastante impactante no nosso trabalho. Além das outras pautas apresentadas”.

 

Um dos representantes do grupo de caminhoneiros que está há oito dias em greve, Gilson Baitaca (Movimento dos Transportadores de Grãos – Mato Grosso), afirmou que todas as propostas da categoria foram cumpridas pelo presidente Michel Temer e que o acordo foi fechado. Porém, afirmou que existe uma ala que pede a derrubada do peemedebista e, por conta disto, eles ainda continuam a manifestar nas rodovias de todo o país. Além disto, Baitaca garantiu que a greve voltará com força total, caso as promessas não sejam cumpridas.
Baitaca ainda acrescentou que “tem uma questão do movimento ainda permanecer mobilizado. Isso está fora da nossa responsabilidade. Não tenho comando disto. Eles estão reivindicando algo para a sociedade, mas não dizem nada. Alguns intervencionistas se aproveitaram da situação”.

Para o representante, com a proposta dos caminheiros – que foi aceita por Temer – os condutores não terão mais que tirar do próprio bolso para trabalhar. Baitaca ainda destacou a força do movimento, que trouxe conquistas expressivas de algo que era pleiteado há bastante tempo.

No domingo, Temer anunciou novas medidas em mais uma tentativa de por fim à paralisação dos caminhoneiros. Entre elas está a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias, e a isenção de pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios. Durante o pronunciamento, foram registrados panelaços em vários Estados.

Esta redução de R$ 0,46 no preço do diesel custará ao governo R$ 10 bilhões. Conforme o Palácio do Planalto, os recursos serão cobertos pelo Tesouro via crédito extraordinário.

A mobilização foi proposta pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e iniciou na manhã da última segunda-feira (21). Em razão dos pesados impostos e do baixo valor dos fretes, a categoria afirma que enfrenta uma grave crise e articula ações em todo o país para evidenciar o descontentamento com a atual política econômica. A PRF mantêm o diálogo com os caminhoneiros.

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