banner

Barrichello chega aos 40 tentando conquistar América ainda com olhos no Velho Mundo

142 0

 

Mesmo perto das 500 Milhas de Indianápolis e, apesar de todas as dificuldades que vem enfrentando na Indy, Rubens Barrichello ainda não deixou de pensar na F1 e em uma eventual volta ao Mundial
Quando Rubens Barrichello se viu sem lugar na F1 em 2012, foi o amigo Tony Kanaan quem o ajudou a traçar um novo roteiro na vida. Depois de longos 19 anos na categoria máxima do automobilismo, tendo sido protagonista de episódios polêmicos que marcaram para a sempre a história recente do Mundial, Barrichello enfrentava um ponto final doloroso, sem despedida, sem festa. A vaga na Williams, a única possível para permanecer na F1, havia sido tomada pelo compatriota Bruno Senna e a aposentadoria parecia certa. A reviravolta, entretanto, se deu justamente na categoria que Barrichello havia prometido que jamais correria, consolidando assim um ciclo de maturidade em sua vida. Não à toa, o recordista de largadas na F1 e o ‘rookie’ em Indianápolis completa 40 anos de idade nesta quarta-feira (23).
A chance de continuar a correr surgiu depois de um inusitado teste em Sebring, na Flórida, com o carro da KV do irmão Tony. A Indy, então, surgia como a salvação, mas trazia consigo o peso da antiga promessa feita à esposa, Silvana. Só que o bem-sucedido treino acabou seduzindo Rubens e toda a equipe, além da própria categoria, que já via na intenção de Barrichello uma forma de buscar a popularidade perdida nos últimos anos.
Pois bem, a decisão de atravessar o Atlântico não foi difícil. A execução dela, no entanto, foi mais trabalhosa em dois sentidos. Primeiro: captação de recurso. A contratação pura de piloto na Indy é artigo raro, por isso, mesmo com tantas temporadas na F1, experiência e nome, Rubens também teve de arregaçar as mangas e iniciar um trabalho de busca por patrocinadores. Tão longo completou o teste na Flórida, o piloto retornou ao Brasil, com o projeto Indy nas mãos. A outra questão, de um lado mais pessoal, foi convencer a esposa de que a categoria norte-americana era, de fato, a melhor opção para seguir competindo, apesar das ressalvas quanto aos circuitos ovais.
Uma vez com dinheiro na mão e a aprovação de Silvana, Barrichello pôde firmar o compromisso com Jimmy Vasser. O acordo ganhou a mídia, o paddock da Indy e encheu de entusiasmo os mais otimistas. De repente, Rubens ganhou status de favorito às vitórias e ao título da categoria norte-americana.
Só que o desempenho nas primeiras corridas mostrou uma realidade bem diferente daquela vivida na euforia dos treinos coletivos. O bom rendimento em Sebring e em Sonoma, durante a pré-temporada, não se repetiu nas etapas iniciais do ano, evidenciando que a adaptação ao novo universo americano seria bem mais complicada do que aquela imaginada antes de o campeonato começar.
Além do conhecimento do carro em si, Barrichello se encontrou em uma luta para entender a dinâmica das corridas da Indy, muito diferente do que estava acostumado na F1. Bandeiras amarelas, relargadas, empurrões e estratégia. Todos esses aspectos ganharam um peso a mais, talvez até o próprio piloto tenha se surpreendido com o quanto esses itens interferem no cômputo geral de uma prova da Indy. E isso tudo, claro, acabou se refletindo em fracos resultados e performances muito aquém das imaginadas na pré-temporada.
As reclamações também foram imediatas. Barrichello cobrou respeito dos demais pilotos pelas atitudes agressivas demais na pista e reivindicou uma posição de ‘rookie’ no campeonato, principalmente para ter mais tempo de treino, pensando em uma adaptação mais rápida. As queixas surtiram algum efeito, e Rubens acabou ganhando da Indy a chance de treinar junto com os novatos, apesar de não competir com eles na tabela de pontos.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of