Bachelet não obtém maioria dos votos e Chile terá segundo turno para presidente

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O Chile terá de ir novamente às urnas, em 15 de dezembro, para eleger, no segundo turno, a sua nova presidente.

Com 89,9% das urnas apuradas, a ex-presidente Michelle Bachelet, candidata da oposição, tinha 46,77% dos votos válidos. Para ganhar no primeiro turno, Bachelet –que governou o país entre 2006 e 2010 e era a favorita– deveria ter obtido mais de 50%.

A candidata da diretita, Evelyn Matthei, que disputará o segundo turno com Bachelet tinha 25,05%.

Esta foi a primeira eleição no Chile sem voto obrigatório. Também foi inédito o número de postulantes ao Palácio de La Moneda: nove.

Bachelet votou por volta das 9h da manhã, exatamente no mesmo horário em que o presidente Sebastián Piñera foi às urnas.

Na saída, ela disse que gostaria de ganhar no primeiro turno, como tem afirmado, porque “há muito para fazer”.

“Mas obviamente sei que há nove candidatos e as pessoas votarão naqueles que correspondam [às suas vontades].”

A candidata da aliança de centro-esquerda Nova Maioria (antiga Concertação) despontou à frente na corrida ao apresentar uma agenda com foco mais social.

Com o slogan “Chile de Todos”, a ex-presidente manteve ao longo da campanha um discurso que pregava o fim da desigualdade social no país.

Em seu último ato eleitoral, na quinta, afirmou: “a desigualdade é nossa pedra no sapato”.

REFORMAS

Seu programa de governo é centrado em três propostas: as reformas tributária, educacional e constitucional.

Parte da sociedade chilena já se manifestou favorável a colocar um fim na Constituição concebida na ditadura de Augusto Pinochet.

Alguns chilenos pedem que o próximo mandatário do país convoque uma assembleia constituinte.

Durante o pleito deste domingo, o movimento Marca Tú Voto pediu para que os eleitores assinalassem na cédula de votação a sigla AC, de assembleia constituinte.

Quando os votos forem computados, a organização quer mostrar aos governantes quantos chilenos são favoráveis à proposta.

David Pino Moraga, 54, que trabalha em um teatro em Berlim, foi um dos que marcou AC.

O chileno vive há 25 anos na capital alemã e viajou a Santiago para eleger pela primeira vez um presidente. Enfrentou meia hora de fila no Liceu José Miguel Infante para votar em Marcel Claude, do Partido Humanista.

“Vim votar em um projeto focado no cidadão, que prega a nacionalização do cobre e uma educação pública de excelência. É um projeto que quer acabar com essa cultura de que tudo é negócio nesse país”, disse à Folha.

EDUCAÇÃO

A questão da educação foi um dos temas centrais da campanha, reflexo dos protestos protagonizados por organizações estudantis em 2011 e neste ano.

Durante a tarde, 30 estudantes do ensino médio de Santiago tomaram o comando de campanha de Michelle Bachelet por quase quatro horas.

Os jovens fecharam o portão do local e estenderam uma faixa com os dizeres: “A mudança não está no La Moneda, mas sim nas grandes alamedas [nas ruas]”.

“Sabemos que as mudanças virão só com a organização dos movimentos sociais. Não acreditamos mais nas instituições”, disse à Folha a líder estudantil Eloísa Gonzalez, 19.

Ela ainda mandou um recado para o próximo mandatário: “Saibam que quem governar não estará tranquilo, porque o povo chileno entendeu que é preciso ir para a rua”.

BBC BRASIL

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