Agrotóxico pode ter causado deficiência nos adolescentes em Campo Verde

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Midia News

 
Levantamento do órgão constatou que número pessoas com deficiências é alto em menores de 18 anos
Maioria das grandes lavouras em MT usa pulverização com aviões agrícolas
O MPE (Ministério Público Estadual) iniciou um processo de investigação para levantar possíveis causas que levaram ao alto índice de menores de idade serem portadores de algum tipo de deficiência, na cidade de Campo Verde (140 km ao Sul de Cuiabá).

Levantamento preliminar feito pelo projeto “Jornada da Inclusão”, lançado na terça-feira (28), apontou que das 242 pessoas cadastradas como portadoras de deficiência, 122 são menores de 18 anos.

O promotor de Justiça Marcelo dos Santos Alves Correa quer saber se o índice de deficiências registrado tem relação com o uso indiscriminado de agrotóxico na cidade.

Campo Verde é uma das cidades destaque na produção agrícola em Mato Grosso, com plantios que ocupam uma área de aproximadamente 235 mil hectares para o cultivo de soja, milho, algodão ente outras culturas.

Segundo o MPE, para realizar a investigação, serão consultados especialistas em agrotóxicos, médicos, além de visitas e entrevistas aos portadores de deficientes.

Será observado se as pessoas acometidas por deficiência residem próximas a áreas de plantio. Também será solicitada uma análise da água consumida pelas pessoas que são objeto de estudo.

Além do levantamento das causas das deficiências, serão verificados aspectos relacionados às condições em que essas pessoas vivem, se estão tendo acesso a educação, saúde, entre outros direitos.
“Pretendemos, também, fazer um levantamento sobre a situação dos idosos”, ressaltou o promotor de Justiça.

Outras pesquisas

Pesquisas feitas em dois dos principais municípios produtores de grãos de Mato Grosso encontraram resíduos de agrotóxicos no sangue e na urina de moradores, em poços artesianos, em amostras de ar e de água da chuva coletadas em escolas públicas e no leite materno.

O trabalho, uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz e a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), mediu efeitos do uso de agrotóxicos em Campo Verde e Lucas do Rio Verde (354 ao Norte de Cuiabá).

O monitoramento da água de poços revelou que 32% continham resíduos de agrotóxicos. Das amostras de água da chuva analisadas, mais de 40% estavam contaminadas com venenos.

Já 11% das amostras de ar tinham resíduos de agrotóxicos como o endossulfam – cujo banimento é programado pela Anvisa por seu potencial de provocar defeitos congênitos (nascimento de bebês com malformações genéticas), abortos espontâneos, problemas no desenvolvimento, além de problemas neurológicos, imunológicos e hormonais.

A pesquisa agora analisa a correlação entre esses dados e registros de intoxicações, câncer, malformação fetal e distúrbios neuropsicológicos nos municípios.

Investigação em Lucas do Rio Verde

A cidade de Lucas do Rio Verde também está sendo investigada pelo MPE. Neste caso a suspeita é que o leite materno de pelo menos 60 mulheres foi contaminado por agrotóxicos.

A pesquisadora da UFMT , Danielly Cristina de Andrade Palma, revelou presença de agrotóxico no leite materno das gestantes que residem no município.

O estudo foi um alerta para os moradores da região, pois os resultados podem ser oriundos da exposição ocupacional, ambiental, alimentar do processo produtivo da agricultura que expôs a população a 114,37 litros de agrotóxicos por habitante na safra agrícola de 2009/2010.

À época que o estudo foi divulgado, o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, Edu Pascosk, disse que o caso foi um fato esporádico que ocorreu devido a uma pulverização de uma aeronave que passou dentro do perímetro urbano.

A investigação do MPE ainda não foi concluída.

 

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